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1.3.19

Cracóvia

É fim de semana e tive oportunidade de espreitar o que há para visitar em Cracóvia. Dos "must do" só não conseguimos ir às minas de sal por serem um pouco fora da cidade.
Sábado foi passado a visitar a cidade, agora com boa luz do dia - as principais ruas, monumentos e catedrais, o Jewish District e até a fábrica de Schindler. Que afinal não é propriamente uma visita à fábrica, mas acaba por ser um museu modernaço alusivo à época. Cada divisória tem um formato e cenário diferente o que enriquece muito a visita. Também houve direito a visita ao shopping, Galeria Krakowska.
A visita ao Castelo de Wawel ficou para domingo de manhã, dia de regresso mas cujo voo era só à tarde.
Não entrámos mesmo lá dentro, mas só a visita ao exterior já dá para entreter.
Voltámos para a nossa zona junto ao rio Vístula, que se não fosse o frio de rachar seria zona para desfrutar muito melhor com uma caminhada e quiça um jogging.
Sábado à noite teve direito a beber um copo no Hard Rock Café. Porquê? Porque uma amiga que faz anos exactamente no mesmo dia que eu e com quem eu não estava ia para 200 anos, calhou de estar num país longínquo ao mesmo tempo que eu. E se Portugal não serve para nos encontrarmos, na Polónia já parece perfeitamente viável.

Em resumo, Cracóvia é uma cidade amorosa, mas sem grandes surpresas e a vinda aqui tinha o objetivo claro de visitar os campos que valerão sempre a pena a visita.


























28.2.19

Campos de Concentração

E a malta impressionadíssima com esta escolha para passar o aniversário??

Ele há gente muita sensível. E pronto, não foi no aniversário, foi no dia a seguir!

Os bilhetes foram comprados online com antecedência. Incluíam transporte e entrada em Auschwitz e Birkenau.
Apanhámos o autocarro pela manhã, são uns 50 minutos de viagem e estávamos agendados para a visita do grupo das 12h.
O dia estava solarengo por isso ajudou a tirar um pouco da carga soturna do local.
Há uma guia, temos uns auscultadores e seguimos num grupo de umas 20 pessoas. E assim é toda a visita.

A guia explica tudo com uma voz super pausada e respeitosa para com a história que conta. Um ou outro pormenor podem trazer alguma novidade, mas na generalidade toda a informação é-nos familiar, mas que ganha aqui outra realidade face ao encadeamento e contextualização.
A visita demora cerca de 1h30, andamos sempre em grupo e ninguém abre o pio. Cruzamos com uma série de outros grupos que estão a fazer o mesmo percurso que nós, com breves minutos de distância.

Começamos no famoso portão "O trabalho liberta" e visitamos uma série de edifícios com celas, camaratas, escritórios e alas para experiências. No exterior passamos por forcas e muros de fuzilamento. No interior podemos ver fotografias e pertences dos presos - cabelo, sapatos, malas, objetos pessoais - tudo o que lhes era retirado à chegada. Terminamos nas câmaras de gás e forno crematório.

A 3km e numa curta viagem de autocarro está Birkenau. Reconhecemos tudo dos filmes, o carril onde os combóios chegavam e as várias casernas.
Dadas as más infraestruturas com que foram construídas, a maioria está fechada por risco de ruírem, embora esteja a ser feita alguma reabilitação.
Há um pequeno enquadramento ao início sobre este local, mas depois os visitantes ficam por sua conta para visitarem as casernas.

O que é que eu achei de tudo isto?

Uma visita que tem mesmo de ser feita. Um "never forget" que deve estar na mente de cada ser humano que por algum motivo imbecil está a deixar que o seu preconceito e medo lhe dê ideias destrutivas quanto a outros seres humanos. A imbecilidade não tem limites e este é o sítio que prova isso. E que não se julgue que isto não volta a acontecer. As pessoas são estúpidas e preconceituosas, são egoístas e só olham para o seu umbigo. E padecem da fraqueza da carneirada.
Isto é o que eu acho que esta visita significa e da qual se deve sair com a palavra "tolerância" gravada na alma.

A visita em si, não me fragilizou. É tudo feito com serenidade, as histórias são relatadas com respeito mas sem sensacionalismo ou tristeza. Estamos em grupo e nem há muito tempo para contemplação introspetiva.

E no fim...deixem que vos diga, sorte a dos que chegavam e seguiam diretos para morrer. Auschwitz em comparação com Birkenau é para meninos. Birkenau releva umas condições tão, mas tão desumanas para se viver, que se o destino final era morrer, mais valia ser logo à chegada.

Resta dizer que houve uma parvalhona de uma americana no grupo, que à terceira saída estúpida que teve, intervi...era pessoa que já tinha reagido em modo cheerleader quando a guia referiu que as mulheres novas e solteiras é que ficavam para trabalhar (woman power style), depois andava por Birkenau, no exterior, a falar com um amigo e a rir às bandeiras despregadas e a pérola dá-se quando eu entro na caserna e ela está a trepar pelas camaratas acima. Empoleirada em madeira com mais de 70 anos porque "I just wanted to feel how they felt". Não aguentei e dei-lhe dois berros.
Eu não vos digo que a estupidez não tem limite?

 Hall de acesso à visita












Muro de fuzilamento


Câmara de gás

Forno crematório

 Chegada a Birkenau



Onde dormiam. No piso de baixo era terra batida. No inverno era lama e pedra. As temperatauras de inverno antigamente eram ainda mais rigorosas. Aqui era Novembro e estavam -1º

 Aqui, ela andava empoleirada por aqui acima...





27.2.19

Cracóvia - Primeiras impressões

Chegámos a Cracóvia no final da hora de almoço.
Estava morta de sono e por isso as primeiras horas foram para aterrar na cama e passar pelas brasas.

Estava um frio de rachar e anoitecia cedo, por isso quando saímos do hotel para a voltinha de reconhecimento já não tínhamos assim tanto tempo de luz.

O hotel está numa transversal da rua principal do centro histórico de Cracóvia - Grodzka.
Este centro está entre muralhas e faz-me muito lembrar Praga. Ruazinhas de comércio, Praça Central, telhados bicudos e escuros. É mesmo muito semelhante. Bonito, mas sem fator surpreendente.

Não havia nada planeado, eu não investiguei nada, por isso andámos meio à deriva pelas principais artérias e a aproveitar as lojas para entrar uns minutos e aquecer. 
Basicamente vê-se quase tudo só a deambular pelas ruas, por isso, é deixar-se perder sem medos.

Mais tarde, era noite de jantar de aniversário, no Cyrano de Bergerac. Super fancy, com decoração hiper romântica e serviço 5 estrelas. A comida era boa, mas não vou dizer excepcional, mas muito boa e no geral recomenda-se para uma refeição comemorativa num ambiente acolhedor.





26.2.19

Birthday Girl faz viagem surpresa!

Hello...is anybody out there?
Vou passar à frente às ladaínhas do "ah e tal estou assoberbada não tenho tempo para nada", é verdade mas pronto, cá arranjei uma meia horinha da manhã de sábado para trazer isto de volta.

Ora então o que se tem passado desde o longínquo início de novembro, ainda do ano passado?
Pois que fiz uma viagem surpresa à Polónia e no Natal fui dar mais uma perninha à Suécia.
Serve este post de hoje para relatar a viagem surpresa.

Aqui a menina faz anos em Novembro e estava avisada que ia viajar. O que casa duas coisas que me satisfazem: viajar e surpresas.
Mas vai que ali umas semanas antes o moço se descai e diz "ah porque em Munique vais ter que..." qualquer coisa que não me lembro.
Munique?! Oi?! Como assim Munique?
Sabem quantas vezes na vida eu falei em Munique, que queria conhecer Munique, que Munique deve ser giro, que há qualquer coisa giro em Munique e um dia podia lá ir?
Zero. Nenhuma. Nickles.
Nem sequer me lembrava que tal sítio existia e não fazia puto de ideia do que raio havia lá para ver.
Mas ele ficou meio envergonhado e diz "ah...é o Oktoberfest"
Whatttttt?!?!?!??!
Sabem o quanto gosto de cerveja, que quantidade de cerveja bebo, que marca é a minha favorita e o anseio que tenho por provar cerveja?
Zero. Nenhuma. Nickles.

Respirei fundo. Ele tem esta tendência de escolher prendas que no fundo são coisas que ele quer.
E eu não gosto de deixar aquele amargo de boca de "mas eu fiz com boa intenção e é uma viagem e surpresa e bla bla". Portanto...restou-me enfiar o barrete e começar a ler sobre Munique.
Vai-se a ver e Munique até tem coisas interessantes e algumas pessoas disseram-me muito bem da cidade.
Por isso quando me levantei no dia para ir para o aeroporto já ia mais do que resignada, até ia com vontade de ir conhecer a minha primeira cidade alemã.

Fomos no meu dia de aniversário e foi a doer porque levantei-me às 4h da matina. Ali mais ou menos à mesma hora em que nasci portanto, comecei os 39 bem cedo, não direi fresca mas vá, quase.

Chegámos ao aeroporto e lá estava o voo para Munique à espera (dúvidas houvessem que eu ia mesmo para Munique).
Tudo bem, a malta embarca, faz o voo e desembarca, tudo na paz.
Estou aflita para ir ao WC e penso que mais vale ir logo ali do que esperar por chegar ao hotel.
Quando saio da casa de banho sou brindada com um:
"Tenho uma boa e má notícia para te dar".
Hmmm...quéquefoi agora?
"A má notícia é que isto é o máximo que vais ver de Munique, a boa notícia é que já te safaste do Oktoberfest porque agora vamos apanhar ali aquele voo".
E à minha frente estava a porta de embarque para Cracóvia.
AHHHHHHHHHHHH. YUUUUUUPIIEEEEEEEE. YAYYYYYYYYYY.
Era mesmo o que eu queria!
(imaginar emojis de coraçõezinhos nos olhos por favor)

É verdade que ele escolheu uma coisa que também queria, mas já andávamos fisgados para ir visitar os Campos de Concentração há imenso tempo.
Eu tinha um misto de vontade e pouco à vontade. Não sabia se ia detestar aquilo e sentir-me mal.
Quando estive no Cambodja tive lá uns momentos esotéricos dentro de uma prisão e a coisa não correu bem, portanto imaginava que aqui podia acontecer o mesmo.
Mas, hey, é para ir vamosembora!!!